Silva Lopes (Corografia do Reino do Algarve, 1841) diz muito pouco em relação aos efeitos do terramoto na cidade de Faro
"O terramoto arrasou quase todos os edifícios em Faro. Morreram 250 pessoas. Governava o arcebispo D. Frei Lourenço de Santa Maria, que salvando-se de entre as ruínas do seu palácio totalmente destruído, mandou juntar os soldados e, para dar o exemplo, pegou numa enxada e com ela trabalhou a desentulhar muitos mortos e feridos, fazendo dar sepultura áqueles, portando-se nesta ocasião com todo o zelo de um pastor caritativo: distribuiu largas esmolas não só na cidade, mas por todo o Algarve.
O mar saiu pouco do seu curso ordinário, talvez por se espraiar pela ilha.
"Não é de admirar que o maremoto não tenha produzido em Faro o mesmo efeito que nos outros portos do Algarve, situados a barlavento. As correntes das marés seguem na enchente ou na vazante a direcção geral do canal, mas têm pouca intensidade, porque as águas podem espalhar-se por uma grande superfície.
Parece ter sido a parte baixa da cidade que mais sofreu. Assim, ao passo que a Sé não teve muitas ruínas, a Misericórdia, o hospital, a alfândega, etc, ficaram muitíssimo arruinadas.
Supondo que eram 8.000 os habitantes de Faro, incluindo as crianças, e que morreram 300 pessoas, a percentagem foi um pouco superior à de Lisboa e não houve incêndio.
O seu grau de intensidade sísmica devia ter sido 10.
Francisco Luiz Pereira de Sousa, O Megasismo do 1º de Novembro de 1755 em Portugal , Lisboa, 1915 (excerto ligeiramente adaptado)

Editado pela Cosmos, em 1965. Autor Roberto Lopez, tradução portuguesa de A. H. de Oliveira Marques, cartografia de Serge Bonin.
António Sérgio [director pedagógico da Liga] escreve no Prefácio deste livro Lições de Coisas :
O que releva na instrução é perceber bem o essencial, e só o essencial. Para o mais, basta que ensinemos o estudante a saber servir-se das enciclopédias, atlas, tábuas, tratados, aides-mémoires, dicionários técnicos, etc. Faz parte esssencial de todo ensino o familiarizar a quem aprende com os melhores livros desta espécie, e não ambicionar de maneira nenhuma que a memória os substitua.
Veja o Livro (editado em 1926)
Histórias, Arquivos, Memórias
Coordenação de António Nóvoa e Ana Teresa Santa-Clara
Edições ASA
Aconselhamos vivamente a leitura das memórias da nossa escola:
Liceu João de Deus, em Faro
por Maria Elisa Barreiras
por PEARL S. BUCK
É este o livro mais encorajador, o mais esperançoso e o mais generoso livro que eu já li em toda a minha vida. Livro escrito por um famoso cientista, um técnico que sabe o que está dizendo, um conhecedor dos problemas práticos, um homem do mundo no melhor sentido da palavra, porque conhece o mundo e as suas populações e nos apresenta, numa obra magistralmente escrita, o conhecimento fundamental para a felicidade e a paz dos homens.
A paz tem sido largamente discutida por indivíduos que ignoram por completo o assunto. Indivíduos que não têm a menor ideia de como se obtem a paz porque não conhecem ou recusam conhecer o que é essencial para a sua obtenção. Aqui está um livro que nos diz quais são esses aspectos essenciais e prova que eles são capazes de a assegurar, o que torna a obtenção da paz um objecto prático e realizável. Esta deve ser uma notícia desagradável para aqueles que preferem a guerra à paz, mas é uma gloriosa notícia para a maioria da humanidade.
É por esta razão que eu afirmo que este livro - a Geopolítica da Fome, do eminente cientista Josué de Castro - é o mais importante livro que já foi publicado nestes confusos, perigosos e ridículos tempos actuais. Ridículos porque, embora a paz seja prática e possível, indivíduos há, em várias partes do mundo, tocando seus tambores para manufacturar uma guerra. (...)