janeiro 19, 2005

Orlando Ribeiro

Essencialmente dedicado ao ensino e investigação em Geografia, Orlando Ribeiro é considerado o renovador desta ciência no Portugal do século XX, e o geógrafo português com mais ampla projecção a nível internacional. No entanto, a sua vasta obra, produzida a par da longa e intensa carreira como professor e investigador universitário, abarca muito mais do que avanços científicos na Geografia, e revela uma diversidade de interesses e intervenções que desenham uma invulgar geografia intelectual.

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novembro 17, 2004

Almeida Garrett (9-12-2004)

Não te Amo

Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n'alma - tenho a calma,
A calma - do jazigo.
Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida - nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.

Brasil

Portugal

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setembro 08, 2004

Ilustração

Biblioteca Nacional A ilustração é a atracção primeira do livro.

Vá ver a exposição! Começa amanhã.

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julho 08, 2004

Júlio Verne

Jovens dos anos 60 e 70 leram e aprenderam com os livros de Júlio Verne, gastaram-lhe os cantos das páginas de tanto folhear.
Para além deste há mais 80 na colecção "Viagens Maravilhosas aos Mundos Conhecidos e Desconhecidos".

Les personnages des romans de l'écrivain français Jules Verne (1828 - 1905) vivent sur la LUNE, au fond des MERS et dans les AIRS, des aventures incroyables en leur temps, mais dont le nôtre a fait des réalités.
verne.jpgA 11 ANS, Jules Verne quitte un matin, sans bruit, la maison paternelle, à Nantes. Il part s'embarquer, en cachette, sur le trois-mâts La Coralie, qui appareille pour les Indes. Il a fait des économies pour racheter l'engagement de l'un des deux mousses qui doivent partir sur le voilier. A la dernière minute, un canot le conduit avec l'autre garçon sur La Coralie. La substitution de l'un des mousses passe inaperçue dans l'animation de l'appareillage. Jules Verne se croit en route pour les Indes! Mais à la maison, on a découvert son absence. Sa mère s'affole. On apprend vite, par un marinier, qu'on a vu l'enfant en canot, avec deux mousses, se diriger vers le bateau qui doit faire escale le soir à Paimboeuf. C'est là que M. Verne retrouve son fils sur La Coralie. Jules, rudement tancé, jure à sa mère de ne plus voyager qu'en rêve. Mais quelles aventures allaient naître de ses rêves !

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março 03, 2004

Casimiro de Brito

Casimiro de Brito
SE EU TE PEDISSE A PAZ, QUE ME DARIAS
PEQUENO INSETO DA MEMÓRIA DE QUEM SOU
NINHO E ALIMENTO? SE EU TE PEDISSE A
PAZ, A PEDRA DO SILÊNCIO COBRINDO- ME
DE PÓ, A VOZ RUBRA DOS FRUTOS, QUE ME
DARIAS RESPIRAÇÃO PAUSADA DE OUTRO
CORPO SOB O MEU CORPO?

PERDOA-ME POR SER TÃO SÓ, E FALAR-TE
AINDA DO MEU EXÍLIO. PERDOA-ME SE NÃO
TE PEÇO A PAZ. APENAS PERGUNTO: QUE ME
DARIAS SE A PEDISSE?

A SABEDORIA?
UM CAVALO DE OLHOS VERDES?
UM TRONCO DE MADEIRA PARA NELE GRAVAR O TEU NOME JUNTO AO MEU?
OU APENAS UMA FACA DE FOGO, INTRANQUILA, NO CENTRO DO CORAÇÃO?

NADA TE PEÇO, NADA. VISITO, SIMPLESMENTE, O TEU CORPO DE CINZA.
FALO-LHE DE MIM, ENTREGO-TE O MEU DESTINO. E DELE ME LIBERTO SÓ
DE PERGUNTAR: QUE ME DARIAS SE EU TE PEDISSE A PAZ E SOUBESSES
DE COMO A QUERO REVESTIDA POR UMA CROSTA DE SOL EM LIBERDADE?


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Ramos Rosa

Ramos RosaAntónio Ramos Rosa

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação.

de Viagem através duma Nebulosa (1960)

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fevereiro 23, 2004

Gabriela Correia

Homenagem a Zeca Afonso

Um frémito paira na sala
o coração estremece
e antes que a voz comece
solta,
límpida,
clara,
a multidão desfalece.

Olhão, Abril de 92

Desfalece de emoção,
exaltação,
recordação.

O corpo ondula a compasso
vozes brotam a espaço.
Tímidas,
trémulas,
inseguras,
a coberto do escuro.

E, logo, num sobressalto,
esvaem-se num sussurro.
Mudas,
p’ra não espantar a magia.

Magia de caras várias,
mundo frágil,
incoerente,
estranho
de muita gente.

Ó Poeta coerente
bem hajas por Tu
seres Tu!
Deste outro sentido ao mundo.
Fizeste a realidade sonho!

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fevereiro 12, 2004

João de Deus (3)

Cartilha Maternal "João de Deus publicou em 1876 a Cartilha Maternal ou Arte de Leitura, obra prima do seu génio pedagógico, tendo-se, a partir desta data, consagrado, com grande paixão, ao ensino da leitura pelo método por ele próprio criado.

(Utilize o link para ler on-line a Cartilha Maternal, procure a página 39)

Esta obra constituiu, naquela época, uma surpreendente novidade. Os professores e doutores de então ficaram estupefactos, mas com uma diferença: os que já estavam voltados para o progresso e queriam acabar com o analfabetismo, que atingia 82% da população portuguesa desse tempo, aplaudiram-no com entusiasmo; aqueles que permaneciam agarrados aos métodos antiquados atacaram-no violentamente.Depois de muita polémica, João de Deus saiu vencedor. O seu método veio a ser aprovado pelo Governo e a sua Cartilha Maternal espalhou-se rapidamente do Minho ao Algarve, dos Açores à Madeira, da África à Índia e foi muito utilizada no Brasil, servindo para milhares de crianças e adultos aprenderem a ler e a gostar de ler.
(excertos do prefácio de Fernando Vale a "Versos de João de Deus", editora Portugalmundo, Abril 1996)

Segundo ele, quem lê instrui-se e torna-se útil a si e aos outros. Acreditava que, tal como o leite era o alimento do corpo da criança, o livro infantil deveria ser o alimento do seu espírito. Nesta perspectiva e para que as crianças que iam aprendendo a ler viessem a adquirir, pouco a pouco, o gosto e o hábito da leitura, escreveu para elas lindas histórias em verso.
Na realidade a escola não deve apenas ensinar a ler, mas também formar leitores...."

(Recomenda-se a leitura integral do livro de Fernando Vale, "Versos de João de Deus")

Publicado por TRIPÉ em 11:13 AM | Comentários (0)

fevereiro 04, 2004

João de Deus (2)

A Vidaa vida é nuvem que voa

A vida é o dia de hoje,
a vida é ai que mal soa,
a vida é sombra que foge,
a vida é nuvem que voa;
a vida é sonho tão leve
que se desfaz como a neve
e como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
mais leve que o pensamento,
a vida leva-a o vento,
a vida é folha que cai!

A vida é flor na corrente,
a vida é sopro suave,
a vida é estrela cadente,
voa mais leve que a ave:
Nuvem que o vento nos ares,
onda que o vento nos mares
uma após outra lançou,
a vida é pena caída
da asa de ave ferida -
de vale em vale impelida,
a vida o vento a levou!

pequeno excerto de A VIDA, in Campo de Flores


Veja João de Deus em Projecto Vercial

Publicado por TRIPÉ em 11:28 PM | Comentários (0)

janeiro 28, 2004

João de Deus (1)

Visto por M. Teixeira-Gomes, em "Inventário de Junho" (1899)

João de Deus na vida prática foi homem que deixou andar sempre o seu "crédito por mãos alheias" e nunca soube "vender o seu peixe", como se diz no Algarve. Artista e boémio. Ninguém como ele adquiriu tão universal reputação de preguiçoso e de perdulário. Esta última balda perdeu-o na opinião das provincias , conquanto não haja notícia de que o poeta uma única vez na sua vida tivesse gasto cem mil reis, porque nunca os teve. Soberbos filósofos tentaram governá-lo, tutelá-lo mesmo; foram os que mais lhe imputaram a incansável preguiça. Clamavam que só impondo ao seu espírito certa orientação - cada qual, a sua - se conseguiria dele maior e melhor copia de produções; quiseram em resumo "emendar-lhe a mão" mas não emendaram, afortunadamente.

Tão pouco escapou à vista aleivosa dos políticos graúdos que o chamaram para o seu grémio: resistiu o poeta; isto no tempo em que andavam cheios os cofres públicos. Artista e boémio. Buscava consolar a alma com os versos que fazia, cristalizando as suas impressões e entre sorrisos, exclamando: a vida é um bem. Esta a sua divisa. Mas é amarga a vida; no entanto ele nunca pensou em vender versos ...

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janeiro 22, 2004

António Gedeão

Catedral de Burgos

A catedral de Burgos tem trinta metros de altura
e as pupilas dos meus olhos dois milímetros de abertura.

Olha a catedral de Burgos com trinta metros de altura!


António Gedeão
in Gazeta de Física , Vol. 20, Fasc. 1 , 1997

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janeiro 16, 2004

Gil Vicente

Um livro de 1965

Por volta de 1465 nasceu em Portugal - não se sabe bem onde - um homem, certamente de origem modesta, que portanto se fez grande e ilustre pelo seu próprio esforço, que se chamou Gil Vicente.

Fosse qual fosse a sua profissão civil - ourives ou "mestre da balança" - , o certo é - e isto é que principalmente importa - que foi ele quem inventou a "cousa nova em Portugal" - o Teatro - e que foi um dos maiores poetas Portugueses.

Foi ao nascimento de uma criança, que mais tarde veio a ser o rei D.João III, que ele escreveu a sua primeira peça - o Auto da Visitação, também chamado Monólogo do Vaqueiro -, escrita e dita em língua espanhola para que a mãe do menino e esposa do rei venturoso D.Manuel, a rainha D.Maria, castelhana de nascimento e fala, a pudesse entender. Aconteceu isto em 1502, poucos anos depois da partida de Vasco da Gama para a sua primeira viagem à Índia, há portanto mais de quatro séculos e meio. Até à sua morte, que deve ter ocorrido pelo ano de 1537, escreveu ele, representou e fez representar muitas peças, ora em português, ora em castelhano, ora numa e noutra língua, para divertir e muitas vezes também para criticar com grande coragem e desassombro os reis e os senhores da corte.

Não havia nesse tempo quem no resto do mundo lhe passasse à frente nesta arte de escrever para o Teatro.
(... ...)
As crianças - já vimos que foi o nascimento dum menino que fez nascer a sua primeira peça - aparecem muitas vezes nos seus autos (assim se chama às obras de teatro que ele e os seus continuadores escreveram). É pois justo e conveniente que as crianças de Portugal aprendam a lê-lo e a amá-lo desde cedo, e foi pensando nelas e com esta intenção que se organizou e se mandou ilustrar o livrinho que aqui lhes é oferecido, no ano em que entre nós e no mundo se celebra o meio milénio do nascimento de um dos maiores Poetas - e o maior homem de Teatro - que a nossa terra nos deu: Mestre (grande Mestre!) GIL VICENTE.

Paulo Quintela no Prefácio

Publicado por TRIPÉ em 11:47 AM | Comentários (2)

janeiro 08, 2004

Amílcar Quaresma

Quem constrói a biblioteca é gente generosa como Amílcar Quaresma, professor poeta que fez da Escola a sua vida. Deu-lhe o saber de professor dedicou-lhe as histórias do seu 'Diário' , os vídeos de memórias, os seus livros, as imagens guardadas em CD-ROM.

Bailado da Sete Cores
Para a Biblioteca do Liceu João de Deus oferece o Autor a sua obra mais recente, 'Bailado das Sete Cores' , as cores do Algarve, a luz que outro poeta - Emiliano da Costa - viu nas águas do Gilão, na sua Tavira natal "e aquelas outras tão quentes e brilhantes da terra que o acolheu ... Estoi, "Aldeia Branca" Amílcar Quaresma com Emiliano da Costa

BIBLIOGRAFIA *RECOLHIDA NA BIBLIOTECA NACIONAL

[1] - QUARESMA, Amílcar - Diário / Amílcar Quaresma. - Faro : A. Quaresma, imp. 1996 (Vila Real de Santo António : Emp. Litográfica do Sul). - 375 p. ; 20 cm. BN L. 87040 P.. BN L. 87040 P.. BPMP I8-3-34. UASD 821.134.3-9 QUA*Dia CH. UCBG 5-11-67-92. CDU : 821.134.3-94"19" / CDU : 821.134.3-1"19"

[2] - QUARESMA, Amílcar - Estoi, aldeia branca / Amílcar Quaresma. - Faro : Câmara Municipal, 1999. - 25 p. : il. ; 30 cm. BN H.G. 47146 V..
Estói (Concelho de Faro, Portugal) / CDU : 908(469.601)

[3] - QUARESMA, Amílcar - Os licíadas / Amílcar Quaresma. - Faro : A. Quaresma, 2001 (Vila Real de Santo António : Emp. Litográfica do Sul). - 519 p. ; 21 cm. BN L. 70837 V.. BN L. 70837 V.. UCBG 5-6-47-1. CDU : 821.134.3-1"19"

[4] - QUARESMA, Amílcar - Maresias / Goulart Quaresma. - [S.l. : s.n.], [199-?]-. - v. : il. ; 28 cm. - 3º v.: imp. 2003. - 122 p.. BN . BN .

[5] - TEMPO JOVEM - Tempo jovem / dir. Amilcar Quaresma. - Faro : Casa de Cultura da Juventude de Faro, [D.L. 1980]-. - ; 43 cm. BN J. 4021 V.. UCBG B-57 B-12-M 1.
Publicações de informação geral / CDU : 05

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dezembro 04, 2003

Josué de Castro

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J. Carvalho Branco

Josué de Castro, médico, filósofo e homem social que dedicou toda a sua vida a combater um dos fenómenos mais terríveis para o homem, a Fome - criada pelo próprio homem -, morreu no dia 23 de Setembro de 1973 em Paris, vítima de colapso cardíaco.

Josué de Castro, era uma das figuras mais marcantes da nossa época e o seu desaparecimento prematuro, além de nos desolar, pôs fim a uma colaboração que se antevia profunda e profícua no que respeita à solução de problemas portugueses da saúde e da alimentação.
As restrições impostas pelo deposto governo fascista, não só à circulação da sua obra, como também à da sua pessoa, haviam abrandado no governo de Marcello Caetano, que autorizara a sua entrada em Portugal, com estadia prolongada, por três vezes, prometendo mesmo que o havia de receber pessoalmente. Josué de Castro, porém, nunca propiciou o cumprimento daquela promessa.


excertos da Nota do Editor, J. Carvalho Branco .
Esta obra existe aqui na Biblioteca. Mais actual do que nunca ...

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novembro 29, 2003

Marçal Pacheco

A Resposta do País

Quem foi Marçal Pacheco?

Entre nós, às ruas, avenidas e pontes são geralmente atribuídos nomes de ilustres filhos da terra. Todos nós temos por vezes curiosidade de saber quem foi determinada personalidade cujo nome figura na toponímia da nossa cidade. A verdade é que algumas dessas pessoas viveram há muitos anos, e o tempo encarrega-se de as deixar cair no esquecimento e nem sempre essa curiosidade será completamente saciada.
Marçal Pacheco é certamente um nome conhecido de uma grande parte dos algarvios, associado a uma das principais avenidas da cidade de Loulé. Os menos jovens associá-lo-ão também a uma conhecida banda filarmónica que existiu naquela cidade algarvia.
Mas quem foi Marçal Pacheco? Por Maria Grosso


Nasceu em Loulé em 1847, formou-se em Direito, em Coimbra com elevada classificação em 1872 e faleceu em Loulé em 1896. Segundo Ataíde Oliveira, era filiado no partido regenerador, foi durante vários anos Presidente da Câmara Municipal de Loulé e deputado por vários círculos eleitorais do país, incluindo o círculo plurinominal de Faro e Loulé. Em 1981 foi eleito par do reino pelo colégio eleitoral de Beja. Revelou-se um grande orador da oposição da época e "ninguém como Marçal Pacheco melhor quis e melhor estimou o seu concelho". Escrevia no seu jornal - O Reporter - artigos profundamente apreciados, e apenas publicou um "famoso folheto - A Resposta do Paiz - que é o bastante para documentar o seu superior critério. Este folheto tem páginas admiráveis e o governo que o adoptasse como programa da sua administração produziria uma revolução salutar em todos os ramos da pública administrção" Este folheto foi editado, e existe na nossa Biblioteca um exemplar da 2ª edição que foi oferecido pelo poeta Cândido Guerreiro, como se pode ver na reprodução aqui inserida.
E o Paiz começa assim a sua resposta:
" Resignado e silencioso tenho soffrido os sucessivos desastres e as crueis provações que, de mãos dadas, o destino e os governos teem attrahido, há longos annos, sobre mim" . E, analisando os vários sectores da vida do país, prossegue:
"A imprensa, que me é necessária como o pão e prejudicial como o veneno, vive no peor dos regimens, no regimen do arbitrário, que ora brutalmente a persegue, ora lhe permite desvarios de toda a ordem.....
O seu poder judicial, no modo de ser dos tribunaes, nos serviços forenses, e nas relações que o ligam aos outros poderes do Estado, necessita, desde muito, de uma completa reforma."
E por fim dirigindo-se ao rei escreve:
" E vós, senhor rei de Portugal, vós que falais, por vezes, nos meus interesses superiores, escutae também o que vos digo, porque a mim pertence-me o direito de falar e a vós o dever de me ouvir. ...
... Lembrai-vos, senhor, que a vossa maior força está na escolha dos ministros, mas que o vosso maior dever consiste em velar pelo que elles fazem.... Dizem que a culpa é toda minha, que não tenho feito ouvir a minha voz, e que a minha indolência consentiu a situação a que cheguei. Não é verdade, senhor! A minha voz articulo-a eu no som cavo das enxadas, no silvo da locomotiva, no gemido das charruas, no estalar das pedreiras, no ruído dos meus teares, na respiração das minhas forjas, no arfar contínuo, emfim, do meu labor quotidiano. Não chega a minha voz para tudo, senhor, e é por isso que os meus representantes deviam falar por mim, e é só d'elles a culpa inteira".
....E termina:
"Porque a lei, senhor, - ouvi-me atentamente - é um suave travesseiro de penas sobre o qual a cabeça dos Príncipes, bem como a dos vassalos, repoisa, tranquila, e adormece, satisfeita, na beatitude do dever cumprido!"
Estes são extractos, que por estarem fora do contexto não nos elucidam suficientemente sobre o pensamento político desta personalidade do século XIX. Para isso deverá ler-se o texto integralmente.
O folheto aqui referido encontra-se transcrito, em apenas onze páginas, na obra de Ataíde Oliveira - Monografia do Concelho de Loulé. São deste livro todas as citações aqui feitas. Se o leitor pesquisar esta ou outras figuras de relevo da cidade ou do país, poderá ser surpreendido redescobrindo personalidades interessantes do nosso património cultural a que o tempo já retirou algum brilho. A Biblioteca da Escola Secundária João de Deus poderá dar, nalguns casos, uma boa ajuda...

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novembro 19, 2003

Lágrima de Preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima para analisar.

Recolhi a lágrima
Com todo o cuidado
Num tubo de ensaio
Bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro
nem vestígios de ódio,
água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

Rómulo de Carvalho

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