janeiro 28, 2004

João de Deus (1)

Visto por M. Teixeira-Gomes, em "Inventário de Junho" (1899)

João de Deus na vida prática foi homem que deixou andar sempre o seu "crédito por mãos alheias" e nunca soube "vender o seu peixe", como se diz no Algarve. Artista e boémio. Ninguém como ele adquiriu tão universal reputação de preguiçoso e de perdulário. Esta última balda perdeu-o na opinião das provincias , conquanto não haja notícia de que o poeta uma única vez na sua vida tivesse gasto cem mil reis, porque nunca os teve. Soberbos filósofos tentaram governá-lo, tutelá-lo mesmo; foram os que mais lhe imputaram a incansável preguiça. Clamavam que só impondo ao seu espírito certa orientação - cada qual, a sua - se conseguiria dele maior e melhor copia de produções; quiseram em resumo "emendar-lhe a mão" mas não emendaram, afortunadamente.

Tão pouco escapou à vista aleivosa dos políticos graúdos que o chamaram para o seu grémio: resistiu o poeta; isto no tempo em que andavam cheios os cofres públicos. Artista e boémio. Buscava consolar a alma com os versos que fazia, cristalizando as suas impressões e entre sorrisos, exclamando: a vida é um bem. Esta a sua divisa. Mas é amarga a vida; no entanto ele nunca pensou em vender versos ...

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janeiro 22, 2004

António Gedeão

Catedral de Burgos

A catedral de Burgos tem trinta metros de altura
e as pupilas dos meus olhos dois milímetros de abertura.

Olha a catedral de Burgos com trinta metros de altura!


António Gedeão
in Gazeta de Física , Vol. 20, Fasc. 1 , 1997

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janeiro 16, 2004

Gil Vicente

Um livro de 1965

Por volta de 1465 nasceu em Portugal - não se sabe bem onde - um homem, certamente de origem modesta, que portanto se fez grande e ilustre pelo seu próprio esforço, que se chamou Gil Vicente.

Fosse qual fosse a sua profissão civil - ourives ou "mestre da balança" - , o certo é - e isto é que principalmente importa - que foi ele quem inventou a "cousa nova em Portugal" - o Teatro - e que foi um dos maiores poetas Portugueses.

Foi ao nascimento de uma criança, que mais tarde veio a ser o rei D.João III, que ele escreveu a sua primeira peça - o Auto da Visitação, também chamado Monólogo do Vaqueiro -, escrita e dita em língua espanhola para que a mãe do menino e esposa do rei venturoso D.Manuel, a rainha D.Maria, castelhana de nascimento e fala, a pudesse entender. Aconteceu isto em 1502, poucos anos depois da partida de Vasco da Gama para a sua primeira viagem à Índia, há portanto mais de quatro séculos e meio. Até à sua morte, que deve ter ocorrido pelo ano de 1537, escreveu ele, representou e fez representar muitas peças, ora em português, ora em castelhano, ora numa e noutra língua, para divertir e muitas vezes também para criticar com grande coragem e desassombro os reis e os senhores da corte.

Não havia nesse tempo quem no resto do mundo lhe passasse à frente nesta arte de escrever para o Teatro.
(... ...)
As crianças - já vimos que foi o nascimento dum menino que fez nascer a sua primeira peça - aparecem muitas vezes nos seus autos (assim se chama às obras de teatro que ele e os seus continuadores escreveram). É pois justo e conveniente que as crianças de Portugal aprendam a lê-lo e a amá-lo desde cedo, e foi pensando nelas e com esta intenção que se organizou e se mandou ilustrar o livrinho que aqui lhes é oferecido, no ano em que entre nós e no mundo se celebra o meio milénio do nascimento de um dos maiores Poetas - e o maior homem de Teatro - que a nossa terra nos deu: Mestre (grande Mestre!) GIL VICENTE.

Paulo Quintela no Prefácio

Publicado por TRIPÉ em 11:47 AM | Comentários (2)

janeiro 08, 2004

Amílcar Quaresma

Quem constrói a biblioteca é gente generosa como Amílcar Quaresma, professor poeta que fez da Escola a sua vida. Deu-lhe o saber de professor dedicou-lhe as histórias do seu 'Diário' , os vídeos de memórias, os seus livros, as imagens guardadas em CD-ROM.

Bailado da Sete Cores
Para a Biblioteca do Liceu João de Deus oferece o Autor a sua obra mais recente, 'Bailado das Sete Cores' , as cores do Algarve, a luz que outro poeta - Emiliano da Costa - viu nas águas do Gilão, na sua Tavira natal "e aquelas outras tão quentes e brilhantes da terra que o acolheu ... Estoi, "Aldeia Branca" Amílcar Quaresma com Emiliano da Costa

BIBLIOGRAFIA *RECOLHIDA NA BIBLIOTECA NACIONAL

[1] - QUARESMA, Amílcar - Diário / Amílcar Quaresma. - Faro : A. Quaresma, imp. 1996 (Vila Real de Santo António : Emp. Litográfica do Sul). - 375 p. ; 20 cm. BN L. 87040 P.. BN L. 87040 P.. BPMP I8-3-34. UASD 821.134.3-9 QUA*Dia CH. UCBG 5-11-67-92. CDU : 821.134.3-94"19" / CDU : 821.134.3-1"19"

[2] - QUARESMA, Amílcar - Estoi, aldeia branca / Amílcar Quaresma. - Faro : Câmara Municipal, 1999. - 25 p. : il. ; 30 cm. BN H.G. 47146 V..
Estói (Concelho de Faro, Portugal) / CDU : 908(469.601)

[3] - QUARESMA, Amílcar - Os licíadas / Amílcar Quaresma. - Faro : A. Quaresma, 2001 (Vila Real de Santo António : Emp. Litográfica do Sul). - 519 p. ; 21 cm. BN L. 70837 V.. BN L. 70837 V.. UCBG 5-6-47-1. CDU : 821.134.3-1"19"

[4] - QUARESMA, Amílcar - Maresias / Goulart Quaresma. - [S.l. : s.n.], [199-?]-. - v. : il. ; 28 cm. - 3º v.: imp. 2003. - 122 p.. BN . BN .

[5] - TEMPO JOVEM - Tempo jovem / dir. Amilcar Quaresma. - Faro : Casa de Cultura da Juventude de Faro, [D.L. 1980]-. - ; 43 cm. BN J. 4021 V.. UCBG B-57 B-12-M 1.
Publicações de informação geral / CDU : 05

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