janeiro 03, 2005

Memória de 1755 na Biblioteca

Silva Lopes (Corografia do Reino do Algarve, 1841) diz muito pouco em relação aos efeitos do terramoto na cidade de Faro

"O terramoto arrasou quase todos os edifícios em Faro. Morreram 250 pessoas. Governava o arcebispo D. Frei Lourenço de Santa Maria, que salvando-se de entre as ruínas do seu palácio totalmente destruído, mandou juntar os soldados e, para dar o exemplo, pegou numa enxada e com ela trabalhou a desentulhar muitos mortos e feridos, fazendo dar sepultura áqueles, portando-se nesta ocasião com todo o zelo de um pastor caritativo: distribuiu largas esmolas não só na cidade, mas por todo o Algarve.
O mar saiu pouco do seu curso ordinário, talvez por se espraiar pela ilha.
sobrevivente do maremoto na Índia, em dezembro de 2004 "Não é de admirar que o maremoto não tenha produzido em Faro o mesmo efeito que nos outros portos do Algarve, situados a barlavento. As correntes das marés seguem na enchente ou na vazante a direcção geral do canal, mas têm pouca intensidade, porque as águas podem espalhar-se por uma grande superfície.

Parece ter sido a parte baixa da cidade que mais sofreu. Assim, ao passo que a Sé não teve muitas ruínas, a Misericórdia, o hospital, a alfândega, etc, ficaram muitíssimo arruinadas.

Supondo que eram 8.000 os habitantes de Faro, incluindo as crianças, e que morreram 300 pessoas, a percentagem foi um pouco superior à de Lisboa e não houve incêndio.
O seu grau de intensidade sísmica devia ter sido 10.

Francisco Luiz Pereira de Sousa, O Megasismo do 1º de Novembro de 1755 em Portugal , Lisboa, 1915 (excerto ligeiramente adaptado)

Publicado por TRIPÉ em janeiro 3, 2005 06:26 PM
Comentários