A história mais conhecida de Arquimedes é (...) a do grito de «Eureka!». Conta a lenda - pois que de uma lenda se trata - que estava o sábio grego, um belo dia, a tomar banho numa banheira, porventura entretido com o problema da coroa do rei. De repente, deu-lhe um lampejo súbito e largou a correr, nu, pelas ruas da cidade a gritar «Eureka, Eureka!», o que significa: «Descobri, descobri!».
Tratou-se, se acaso a lenda é verdade, de um dos primeiros actos de happening de que há memória, de teatro espontâneo na praça pública. A palavra grega Eureka faz parte do vocabulário moderno, existindo até um programa europeu de investigação e desenvolvimento com esse nome. Serão porventura muitos os gritos de «Eureka» que hoje se soltam pelos laboratórios europeus, mas, evidentemente, já ninguém sai nu, a correr pelo centro da cidade...
O que impulsionou Arquimedes? O que é que Arquimedes tinha acabado de descobrir? Nada mais nada menos do que a celebrada lei de Arquimedes.
E o que diz a lei de Arquimedes? Esta pergunta costuma ser feita nos exames escolares e há sempre alunos que gostam de dar um ar da sua graça. Houve um que respondeu, metendo, abundantemente, água: «Todo o corpo mergulhado num líquido molha-se». Houve um outro que afirmou, convicto, numa prova oral: «Todo o corpo mergulhado num líquido, se ao fim de meia hora não voltar à superfície, deve ser considerado perdido». A este último o professor poderia ter ripostado: «Todo o aluno mergulhado num exame, se ao fim de meia hora não responder nada certo, deve ser considerado chumbado».
A resposta de que os professores estão à espera, o verdadeiro enunciado da lei de Arquimedes, ilustra o modo como, por vezes, se tenta (e consegue!) contar coisas simples de uma maneira bem complicada. Trata-se de uma lengalenga que antigamente era preciso decorar para papaguear nas provas:
«Todo o corpo mergulhado num líquido está sujeito a uma força de direcção vertical, de sentido de baixo para cima, e cuja grandeza é igual ao peso do volume de líquido deslocado».