A Fátima faz parte do Tripé há dois meses, desde que a Elisabete entrou em licença de maternidade. É a nossa alentejana, da boa cepa tradicional. Contadora de histórias verdadeiras, cada uma delas a propósito da situação do momento.
Quando era menina, lá no seu monte perdido na serra havia um momento especial: a chegada da livraria de quatro patas. O livreiro chamava-se Passarinho, alcunha ou nome próprio a Fátima não cuidou de saber. À arreata o Passarinho trazia um burro com uma golpelha cheia de livros para vender. A mãe comprava sempre e os livros eram lidos em voz alta. Deve ser daí e da sua fabulosa memória que a Fátima se entusiasma tanto com a limpeza das estantes. Ela acaricia os livros, limpando-os meigamente como se fossem pessoas, conhecidos, amigos. E vai tecendo os seus comentários, ela que leu Camilo, ficou espantada com a quantidade enorme de livros que escreveu...
Mas o que me levou a dedicar-lhe este post foi a tristeza que começou a toldar-lhe o olhar. A Cláudia explicou-me: aquilo é a angústia de ir ficar desempregada! O contrato está quase a acabar, ela vai ficar outra vez sem emprego e estava tão feliz aqui!
Aperta-se o coração quando sabemos que a nossa Alentejanita vai deixar de ser nossa. Há tanto trabalho para ela aqui na biblioteca.
Queremos ajuda! Deixem cá ficar a Dª Fátima!
Publicado por TRIPÉ em julho 14, 2004 04:07 PMeste país, este país...
e ninguém faz nada pelas fátimas por esse país fora que irá ver cessado o seu contrato de trabalho e ir outra pessoa para o seu lugar ( já que existe tanto para fazer)provavelmente alguém sem qualquer carinho, gosto ou interesse pelo que vai fazer. com toda a certeza sem qualquer história bonita para acrescentar valor às "histórias" que lhe irão passar pelas mãos.
um abraço para a fátima.