fevereiro 23, 2004

Gabriela Correia

Homenagem a Zeca Afonso

Um frémito paira na sala
o coração estremece
e antes que a voz comece
solta,
límpida,
clara,
a multidão desfalece.

Olhão, Abril de 92

Desfalece de emoção,
exaltação,
recordação.

O corpo ondula a compasso
vozes brotam a espaço.
Tímidas,
trémulas,
inseguras,
a coberto do escuro.

E, logo, num sobressalto,
esvaem-se num sussurro.
Mudas,
p’ra não espantar a magia.

Magia de caras várias,
mundo frágil,
incoerente,
estranho
de muita gente.

Ó Poeta coerente
bem hajas por Tu
seres Tu!
Deste outro sentido ao mundo.
Fizeste a realidade sonho!

Publicado por TRIPÉ em fevereiro 23, 2004 01:00 AM
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