Homenagem a Zeca Afonso
Um frémito paira na sala
o coração estremece
e antes que a voz comece
solta,
límpida,
clara,
a multidão desfalece.
Olhão, Abril de 92
Desfalece de emoção,
exaltação,
recordação.
O corpo ondula a compasso
vozes brotam a espaço.
Tímidas,
trémulas,
inseguras,
a coberto do escuro.
E, logo, num sobressalto,
esvaem-se num sussurro.
Mudas,
p’ra não espantar a magia.
Magia de caras várias,
mundo frágil,
incoerente,
estranho
de muita gente.
Ó Poeta coerente
bem hajas por Tu
seres Tu!
Deste outro sentido ao mundo.
Fizeste a realidade sonho!