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Nasceu em Loulé em 1847, formou-se em Direito, em Coimbra com elevada classificação em 1872 e faleceu em Loulé em 1896. Segundo Ataíde Oliveira, era filiado no partido regenerador, foi durante vários anos Presidente da Câmara Municipal de Loulé e deputado por vários círculos eleitorais do país, incluindo o círculo plurinominal de Faro e Loulé. Em 1981 foi eleito par do reino pelo colégio eleitoral de Beja. Revelou-se um grande orador da oposição da época e "ninguém como Marçal Pacheco melhor quis e melhor estimou o seu concelho". Escrevia no seu jornal - O Reporter - artigos profundamente apreciados, e apenas publicou um "famoso folheto - A Resposta do Paiz - que é o bastante para documentar o seu superior critério. Este folheto tem páginas admiráveis e o governo que o adoptasse como programa da sua administração produziria uma revolução salutar em todos os ramos da pública administrção" Este folheto foi editado, e existe na nossa Biblioteca um exemplar da 2ª edição que foi oferecido pelo poeta Cândido Guerreiro, como se pode ver na reprodução aqui inserida.
E o Paiz começa assim a sua resposta:
" Resignado e silencioso tenho soffrido os sucessivos desastres e as crueis provações que, de mãos dadas, o destino e os governos teem attrahido, há longos annos, sobre mim" . E, analisando os vários sectores da vida do país, prossegue:
"A imprensa, que me é necessária como o pão e prejudicial como o veneno, vive no peor dos regimens, no regimen do arbitrário, que ora brutalmente a persegue, ora lhe permite desvarios de toda a ordem.....
O seu poder judicial, no modo de ser dos tribunaes, nos serviços forenses, e nas relações que o ligam aos outros poderes do Estado, necessita, desde muito, de uma completa reforma." E por fim dirigindo-se ao rei escreve:
" E vós, senhor rei de Portugal, vós que falais, por vezes, nos meus interesses superiores, escutae também o que vos digo, porque a mim pertence-me o direito de falar e a vós o dever de me ouvir. ...
... Lembrai-vos, senhor, que a vossa maior força está na escolha dos ministros, mas que o vosso maior dever consiste em velar pelo que elles fazem.... Dizem que a culpa é toda minha, que não tenho feito ouvir a minha voz, e que a minha indolência consentiu a situação a que cheguei. Não é verdade, senhor! A minha voz articulo-a eu no som cavo das enxadas, no silvo da locomotiva, no gemido das charruas, no estalar das pedreiras, no ruído dos meus teares, na respiração das minhas forjas, no arfar contínuo, emfim, do meu labor quotidiano. Não chega a minha voz para tudo, senhor, e é por isso que os meus representantes deviam falar por mim, e é só d'elles a culpa inteira". ....E termina:
"Porque a lei, senhor, - ouvi-me atentamente - é um suave travesseiro de penas sobre o qual a cabeça dos Príncipes, bem como a dos vassalos, repoisa, tranquila, e adormece, satisfeita, na beatitude do dever cumprido!"
Estes são extractos, que por estarem fora do contexto não nos elucidam suficientemente sobre o pensamento político desta personalidade do século XIX. Para isso deverá ler-se o texto integralmente.
O folheto aqui referido encontra-se transcrito, em apenas onze páginas, na obra de Ataíde Oliveira - Monografia do Concelho de Loulé. São deste livro todas as citações aqui feitas. Se o leitor pesquisar esta ou outras figuras de relevo da cidade ou do país, poderá ser surpreendido redescobrindo personalidades interessantes do nosso património cultural a que o tempo já retirou algum brilho. A Biblioteca da Escola Secundária João de Deus poderá dar, nalguns casos, uma boa ajuda...